nothing

May 24

Creio que, desde muito pequeno, minha infelicidade, e ao mesmo tempo minha felicidade, foi não aceitar as coisas com facilidade. Não me bastava que explicassem ou afirmassem algo. Para mim, ao contrário, em cada palavra ou objeto começava um itinerário misterioso que às vezes me esclarecia e às vezes chegava a me estilhaçar

Em suma, desde pequeno, minha relação com as palavras, com a escrita, não se diferencia de minha relação com o mundo no geral. Eu pareço ter nascido para não aceitar as coisas tal como me são dadas.

Julio Cortázar

May 22

May 7

(via anarchi-e)


(via velejarmos)


stillnbrkn:

AMIZADE ESTELAR
Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos nos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois navios que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol, parecendo haver chegado ao seu destino e ter um só destino. Mas então a toda poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos e talvez nunca mais nos vejamos de novo ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é lei acima de nós: justamente por isso devemos nos tornar tambem mais veneráveis um para o outro! Justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos. Elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade.- E assim vamos crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos que ser inimigos na Terra.
Nietzsche – A Gaia Ciência – §279 – LIVRO IV

stillnbrkn:

AMIZADE ESTELAR

Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos nos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois navios que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol, parecendo haver chegado ao seu destino e ter um só destino. Mas então a toda poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos e talvez nunca mais nos vejamos de novo ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é lei acima de nós: justamente por isso devemos nos tornar tambem mais veneráveis um para o outro! Justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos. Elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade.- E assim vamos crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos que ser inimigos na Terra.

Nietzsche – A Gaia Ciência – §279 – LIVRO IV


May 3

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E tudo o que se passou pela minha cabeça foi: o peso da sua cabeça nos meus ombros enquanto eu tentava não me mover para não te acordar. Mas eu sabia que não duraria muito. Era linda e triste ao mesmo tempo aquela cena.
Eu sempre tive a mania de fotografar com os olhos as cenas mais bonitas porque sabia que elas durariam apenas instantes. Ai, sempre dava um jeito de arrumar um canto para elas nessa cabeça já cheia de coisas.
Se você quiser pular, existem várias pontes pelo mundo, escolha uma que tenha uma vista bonita para guardar como seu último instante.
Engraçado dizer que, mesmo nos dias de hoje, você ainda consegue encontrar uma pessoa olhando com ternura para outra, que, distraidamente termina sua leitura sem estar ciente de que é observada.
Hoje percebo que, desde pequena, sempre fui uma espiã. Sempre estive olhando atenta a ternura nos olhos dos outros.
Mas instantes são instantes. E nós também fomos instantes.


Apr 29

(via tamirysz)


Apr 28

Apr 27

Apr 15
“isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além”
Paulo Leminski

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